FORUM ATLETISMO DO BRASIL
PROGRAMA DE APOIO A ATLETAS
INTRODUÇÃO
Desde 1996, a Confederação Brasileira de Atletismo procura oferecer aos melhores atletas brasileiros recursos mínimos que possam contribuir para seu desenvolvimento. Normalmente – sempre que os recursos financeiros permitam – Programas de Apoio ao Atleta de Alto Nível e ao Jovem Talento são implantados, sendo que a média de atletas atendidos por ano ultrapassa uma centena.
Estabelecer critérios para inclusão no programa, benefícios que podem ser concedidos e a contra-partida esperada, são tarefas complexas, mas que devem ser cumpridas de maneira objetiva e transparente. A cada ano, critérios são discutidos e implementados, e hoje já contamos com alguma experiência para propor que os mesmos sejam relativamente permanentes, ao menos a cada ciclo olímpico. Dessa maneira, os atletas terão sempre uma noção muito clara do que se exige deles para que façam parte do programa, com quais recursos eles poderão contar, e o que deverão dar em troca para que o programa possa continuar beneficiando o atletismo brasileiro.
A maioria dos países que integram a elite do atletismo mundial mantém programas de apoio a seus principais atletas, e também aos jovens com possibilidades de atingirem o alto rendimento. Tais programas, normalmente, não se resumem ao pagamento de uma ajuda de custo, mas envolvem uma série de outros benefícios, como campings de treinamento, participação em competições internacionais, serviços de avaliação e acompanhamento em áreas correlatas, entre outros.
O objetivo dessa palestra é apresentar uma avaliação simples e objetiva do desenvolvimento do atletismo brasileiro desde 1996 até 2003 (método que pode também ser usada para estabelecer metas futuras), e apresentar para discussão os critérios sugeridos para inclusão nos Programas de Apoio a Atletas da Confederação Brasileira de Atletismo para o próximo ciclo olímpico.
AVALIAÇÃO DO ATLETISMO BRASILEIRO – 1996 A 2003
Temos no Brasil a tendência de limitar a avaliação do grau de desenvolvimento de uma determinada modalidade à contagem do número de medalhas em grandes eventos. Embora esse possa ser visto como um de nossos objetivos, a conquista de medalhas envolve um número tão pequeno que é difícil atribuir qualquer variação a algum fator que não o acaso. Em função disso, optamos por identificar a quantidade de atletas classificados entre os 100 primeiros na lista mundial, ano a ano, desde 1996. As tabelas e gráficos abaixo apresentam os resultados.
|
Ano |
Total |
Masculino |
Feminino |
|
1996 |
48 |
36 |
12 |
|
1997 |
49 |
36 |
13 |
|
1998 |
39 |
31 |
8 |
|
1999 |
44 |
27 |
17 |
|
2000 |
38 |
28 |
10 |
|
2001 |
41 |
27 |
14 |
|
2002 |
49 |
29 |
20 |
|
2003 |
65 |
36 |
29 |
Tabela I:
Número de atletas brasileiros classificados entre os 100 primeiros da lista mundial (1996-2003).

Figura 1:
Número de atletas brasileiros classificados entre os 100 primeiros da lista mundial (1996-2003).Os dados indicam um comportamento similar para ambos os sexos nos últimos 3 anos, ambos com a tendência de crescimento, com uma maior velocidade para as mulheres. Esse período, no entanto, foi precedido por uma fase estável (no caso do feminino) ou mesmo de queda de rendimento (no masculino). Na verdade, nosso masculino hoje voltou aos níveis em que se encontrava em 1996.
As tabelas 2 e 3 mostram – prova por prova – como tem ocorrido essa evolução. As figuras 2 a 16 permitem uma comparação entre os diferentes grupos de provas, em cada sexo.
|
MASCULINO |
1996 |
1997 |
1998 |
1999 |
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
|
100m |
3 |
3 |
3 |
5 |
5 |
3 |
2 |
4 |
|
200m |
4 |
4 |
4 |
2 |
4 |
3 |
4 |
5 |
|
400m |
6 |
2 |
1 |
3 |
2 |
4 |
1 |
2 |
|
800m |
3 |
4 |
5 |
3 |
2 |
2 |
2 |
2 |
|
1500m |
- |
- |
2 |
1 |
1 |
1 |
2 |
1 |
|
5000m |
1 |
1 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
10000m |
1 |
1 |
2 |
- |
1 |
- |
- |
1 |
|
Maratona |
4 |
6 |
5 |
4 |
1 |
1 |
- |
1 |
|
3000m c/ obstáculos |
1 |
1 |
1 |
- |
- |
- |
- |
- |
|
110m com barreiras |
2 |
3 |
1 |
3 |
3 |
4 |
5 |
5 |
|
400m com barreiras |
3 |
2 |
2 |
2 |
3 |
2 |
1 |
3 |
|
Salto em Altura |
- |
- |
1 |
- |
1 |
2 |
2 |
2 |
|
Salto com Vara |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Salto em Distância |
4 |
3 |
2 |
2 |
1 |
1 |
4 |
1 |
|
Salto Triplo |
2 |
3 |
1 |
1 |
3 |
3 |
5 |
6 |
|
Arremesso do Peso |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Lançamento do Disco |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Lançamento do Martelo |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Lançamento do dardo |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
- |
- |
1 |
|
Combinada |
- |
- |
- |
- |
- |
1 |
- |
- |
|
20km Marcha |
1 |
2 |
- |
- |
- |
- |
1 |
- |
|
50km Marcha |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
2 |
Tabela II:
Atletas brasileiros entre os 100 primeiros da lista mundial (masculino) – 1996 a 2003.
|
FEMININO |
1996 |
1997 |
1998 |
1999 |
2000 |
2001 |
2002 |
2003 |
|
100m |
- |
1 |
- |
1 |
- |
2 |
- |
1 |
|
200m |
- |
1 |
- |
1 |
- |
2 |
1 |
2 |
|
400m |
1 |
1 |
1 |
- |
- |
- |
2 |
4 |
|
800m |
1 |
1 |
- |
- |
2 |
1 |
1 |
3 |
|
1500m |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
5000m |
1 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
10000m |
2 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Maratona |
1 |
1 |
- |
1 |
- |
- |
- |
1 |
|
100m com barreiras |
- |
- |
- |
1 |
- |
2 |
2 |
2 |
|
400m com barreiras |
- |
- |
- |
3 |
2 |
2 |
3 |
5 |
|
Salto em Altura |
1 |
1 |
1 |
1 |
- |
2 |
1 |
1 |
|
Salto com Vara |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Salto em Distância |
2 |
3 |
1 |
3 |
2 |
2 |
3 |
3 |
|
Salto Triplo |
- |
1 |
1 |
1 |
1 |
4 |
4 |
3 |
|
Arremesso do Peso |
2 |
1 |
2 |
1 |
1 |
1 |
1 |
2 |
|
Lançamento do Disco |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
1 |
|
Lançamento do Martelo |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
Lançamento do dardo |
- |
- |
- |
1 |
1 |
- |
1 |
1 |
|
Combinada |
- |
1 |
1 |
2 |
- |
- |
- |
- |
|
20km Marcha |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
Tabela III:
Atletas brasileiros entre os 100 primeiros da lista mundial (feminino) – 1996 a 2003.








Figuras 2 a 9:
Top-100 do mundo, por grupos de prova (masculino)







Figuras 10 a 16: Top-100 do mundo, por grupos de prova (feminino)
O que se pode notar é que – provavelmente devido ao conjunto de ações tomadas pelo atletismo brasileiro (clubes, federações, confederação, governos, patrocinadores, etc.) nos últimos anos – algumas provas tiveram uma evolução bastante importante, enquanto outras não evoluíram, ou mesmo deixaram de contribuir da maneira significativa como já o fizeram no passado. O fato de termos centrado nossa atenção demasiadamente na conquista de medalhas nos grandes eventos - feito que é absolutamente esporádico em nosso caso) - impossibilitou que precocemente identificássemos a evolução de alguns grupos de provas, bem como a involução de outros, dificultando a adoção de medidas oportunas no tempo correto. No que diz respeito à Confederação, uma maneira de contribuir para o desenvolvimento do atletismo brasileiro é dar continuidade ao Programa de Apoio aos Atletas de Alto Nível e ao Jovem Talento, a exemplo – como já foi dito – do que ocorre na maioria dos países atleticamente desenvolvidos. Outras estratégias de fomento às provas ou grupos de provas com rendimento historicamente insuficientes devem ser adotadas, e deverão ser discutidas em outros momentos nesse fórum.
PROGRAMA DE APOIO AO ATLETA DE ALTO NÍVEL
Um dos mais importantes objetivos da Confederação é formar equipes competitivas para participar de eventos internacionais. Dessa maneira, um grupo que deve receber atenção privilegiada no tocante a recursos para sua preparação é o formado por aqueles atletas que estão prontos para integrarem a Seleção Brasileira nos grandes eventos. Analisando os resultados desses eventos nos últimos anos, bem como a relação dos atletas que já foram contemplados com recursos desse programa, o Conselho Técnica da CBAt propõe que esse grupo seja formado pelos atletas colocados entre os 30 (trinta) primeiros do ranking mundial em provas olímpicas individuais, entre outros critérios que podem ser vistos com detalhes no Anexo 1. O número total de atletas atendidos pelo programa poderá ter uma pequena redução, mas entendeu-se que mais recursos deveriam ser disponibilizados para aqueles em condições de competirem no mais alto nível.
PROGRAMA DE APOIO AO JOVEM TALENTO (ATLETAS EM DESENVOLVIMENTO – ATÉ SUB-23)
A CBAt reconhece que o percurso para o alto nível é longo, e vários atletas talentosos podem se perder no caminho caso não contem com algum amparo. O trabalho dos clubes e federações tem sido fundamental nesse processo, mas a Confederação julga conveniente oferecer – também nessa fase – um mínimo de suporte para nossos atletas jovens mais destacados, inclusive se propondo a atuar em uma categoria recentemente criada (sub-23), onde se dá uma importante e difícil transição. Devido aos limites orçamentários, também aqui critérios objetivos devem ser criados para a seleção dos atletas a serem atendidos pelo programa. Os critérios previamente discutidos pelo Conselho Técnico encontram-se detalhados no Anexo 2.
Entre outros critérios, a idéia inicial era de atender nas categorias menores e juvenil todos os atletas colocados entre os 30 primeiros dos respectivos rankings mundiais. Deparamo-nos, no início, com um problema: os rankings para essas categorias – particularmente para o menores – não atingem tal profundidade. Nessa última semana, a IAAF divulgou um ranking de menores com um número bem maior de integrantes por prova, a maioria aproximando-se do 30º resultado. Dessa maneira, em poucas provas, deveremos estimar o 30º resultado usando uma ferramenta do Programa Excel ®, da Microsoft ®. Criaremos um gráfico X-Y (X = posição no ranking, e Y = resultado) com os valores conhecidos. Acrescentaremos uma linha de tendência (Potência, que leva em conta a distribuição não-paramétrica dos dados, ou Linear, em casos específicos, quando a distribuição dos resultados for paramétrica). Essa linha de tendência será prolongada em n unidades, para possibilitar uma previsão prospectiva do resultado necessário para figurar na 30ª colocação do ranking. A figura 17 mostra um exemplo na prova do xxxxxx.

Em um segundo passo, formataremos o eixo dos resultados, para apresentar apenas uma parte da curva, o que nos permitirá visualizar com maior precisão o valor estimado para a 30ª colocação:

O resultado encontrado foi 7,24m. Esse procedimento deve ser repetido para todas as provas.
Da mesma maneira que o ranking de menores oficial da IAAF apresenta cerca de 30 atletas em cada prova, esperamos também encontrar quantidade semelhante no ranking juvenil, que será publicado em breve. Dessa maneira, nossa idéia original de contemplar o 30º colocado em todas as categorias poderá se manter.